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Como fazer concordância com expressões partitivas na redação

Por Redação
Publicado em 24/07/2026
Como fazer concordância com expressões partitivas na redação

As expressões partitivas — como "a maioria de", "grande parte de", "uma porção de" ou "a metade de" — estão entre as principais armadilhas de coesão e gramática na redação do Enem e de vestibulares tradicionais. Por envolverem um termo singular que indica coletividade seguido de um complemento no plural, muitos estudantes travam na hora de flexionar o verbo. O receio de cometer um erro de concordância verbal faz com que muitos candidatos gastem tempo precioso reformulando frases ou recorrendo a sinônimos menos precisos.

Para quem busca a nota máxima na Competência 1 do Enem, dominar essa regra é um diferencial estratégico essencial. A análise de milhares de textos de alta performance demonstra que a banca examinadora valoriza a variedade de estruturas sintáticas, desde que aplicadas com precisão. O desvio na concordância com coletivos partitivos desestabiliza a fluidez da leitura e retira pontos preciosos que separam o candidato da nota mil, evidenciando a necessidade de segurança gramatical no rascunho.

A boa notícia para os estudantes é que a norma culta da língua portuguesa adota uma postura flexível e oferece duas formas de concordância perfeitamente aceitas para esses casos. Compreender a lógica por trás de cada uma das construções elimina o fantasma do erro, confere ritmo à sua argumentação e expande o repertório linguístico necessário para a construção de um texto fluido e maduro.

As duas formas de concordância aceitas pela norma culta

Quando a frase apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou pronome no plural, o redator pode optar por dois caminhos distintos para realizar a concordância do verbo. Ambos são considerados corretos pelos manuais de correção dos principais vestibulares do país.

Concordância gramatical (com o núcleo no singular)

Nesta opção, o verbo concorda estritamente com o núcleo da expressão partitiva, que se encontra no singular. É a escolha mais formal e enfatiza a ideia do conjunto como uma unidade indivisível. Se você escrever "A maioria dos jovens votou", o verbo conecta-se diretamente com o termo singular "maioria".

Concordância atrativa (com o especificador no plural)

Nesta modalidade, o verbo é atraído pelo termo plural que especifica a porção, ou seja, o substantivo que vem logo após a preposição. Trata-se de uma construção amplamente utilizada por grandes autores e aceita pelas bancas por destacar os indivíduos que compõem o grupo. Seguindo o mesmo exemplo, a estrutura "A maioria dos jovens votaram" é considerada plenamente válida.

Exemplos práticos na microestrutura do texto

Para evitar penalizações na correção gramatical e garantir que o texto mantenha o padrão de excelência exigido pelas bancas, o candidato deve observar como essas duas regras se aplicam na prática da escrita.

A tabela abaixo compara os desvios comuns cometidos por falta de atenção com as duas variantes corretas permitidas pela norma padrão:

Construção incorreta com desvio (❌) Concordância gramatical correta (✅) Concordância atrativa correta (✅) Grande parte dos cidadãos sofre com a inflação e sofrem com o desemprego. Grande parte dos cidadãos sofre com a inflação e com o desemprego. Grande parte dos cidadãos sofrem com a inflação e com o desemprego. A maioria das escolas públicas não possuem infraestrutura tecnológica básica. A maioria das escolas públicas não possui infraestrutura tecnológica básica. A maioria das escolas públicas não possuem infraestrutura tecnológica básica. Uma porção dos candidatos esqueceram de preencher o cartão de respostas. Uma porção dos candidatos esqueceu de preencher o cartão de respostas. Uma porção dos candidatos esqueceram de preencher o cartão de respostas.

Um erro grave que os corretores penalizam severamente é a quebra de paralelismo sintático dentro do mesmo período , como alternar entre o singular e o plural para se referir ao mesmo sujeito partitivo. Escolha um modelo de concordância e mantenha-o até o ponto final.

Aplicação prática no texto argumentativo

As expressões partitivas são ferramentas valiosas na introdução e no desenvolvimento da redação para apresentar dados estatísticos, tendências sociais ou comportamentos coletivos sem a necessidade de generalizações perigosas.

Veja como utilizar o recurso de forma elegante na sua linha de raciocínio:

"É imperioso notar, inicialmente, que a maioria dos indivíduos compartilha de uma visão distorcida sobre o consumo sustentável..." ou, se preferir a concordância atrativa, " a maioria dos indivíduos compartilham de uma visão distorcida..."

Ambas as construções enriquecem a argumentação, demonstram domínio da norma culta e garantem que o foco do parágrafo permaneça na defesa da tese, sem tropeços sintáticos que prejudiquem a experiência do leitor.

Perguntas frequentes sobre expressões partitivas

A regra muda se a expressão partitiva estiver acompanhada de número percentual?

Não, a lógica permanece idêntica quando a porcentagem vem acompanhada de especificação. Se a frase indicar "30% da população", o verbo concorda com o substantivo especificador (30% da população sofre). Se indicar "30% dos cidadãos", o verbo vai obrigatoriamente para o plural (30% dos cidadãos sofrem).

Posso usar o verbo no plural se a expressão partitiva estiver sozinha na frase?

Não, se a expressão partitiva não vier seguida de um termo no plural, o verbo deve ficar obrigatoriamente no singular. Em construções como "A maioria compareceu ao debate", o verbo não tem outro elemento para sofrer atração, restando apenas a concordância com o núcleo singular.

Qual das duas formas de concordância é mais recomendada para o Enem?

Ambas as formas possuem exatamente o mesmo peso e valor para os avaliadores da Competência 1. A recomendação fundamental dos especialistas é focar na consistência interna do texto, evitando misturar os dois tipos de concordância dentro de uma mesma frase ou parágrafo de desenvolvimento.

Consolide seu domínio gramatical por meio do treino

A segurança para utilizar estruturas gramaticais complexas e flexíveis na hora da prova só é alcançada quando a teoria se transforma em hábito prático. Conhecer as duas formas de concordância para expressões partitivas amplia suas ferramentas de coesão, mas a verdadeira fluidez textual depende de repetição e aplicação consciente. Faça do treino prático e da revisão direcionada de seus rascunhos semanais uma rotina indispensável para fixar essas regras, lapidar sua escrita e garantir a pontuação máxima na folha oficial de redação.